Com o tema “Eleições 2020 e Cidadania”, evento teve sua última live nesta quarta, fechando mês dedicado a direitos e deveres do cidadão

A necessidade de se aumentar substancialmente a participação das mulheres no Poder Público deu a tônica do painel que encerrou o Agosto Transparente do Observatório Social do Brasil – Limeira no dia 26 de agosto, com o tema “Eleições 2020 e Cidadania”. “Graças a mecanismos previstos na lei eleitoral, as mulheres vêm ganhando espaço, principalmente no Legislativo, mas ainda somos sub-representadas”, sentenciou Maíra Bayod, secretária geral da Comissão de Direito Eleitoral da OABSP e integrante da Rede Feminista de Juristas, que participou da live.

Além da advogada, também integraram o painel José Mauro Faber, presidente da 35ª subseção da OAB/SP-Limeira, e Ricardo Prado Pires de Campos, presidente do Movimento do Ministério Público Democrático. O OSB-Limeira foi representado por Mateus Ragazzo, responsável pelo Projeto Eleições 2020, além do mediador Alê Vieira, voluntário e consultor de Marketing Digital. A audiência foi formada por participantes das mais diversas cidades.

O Agosto Transparente promoveu lives em todas as quartas-feiras do mês, sempre contando com convidados renomados para debater temas ligados aos direitos e deveres do cidadão. “Educação Fiscal e Atuação Cidadã”, “Compras Públicas – Redes de Controle” e “Transparência na Gestão Pública” foram os outros três painéis, e todos podem ser assistidos no canal do OSB-Limeira no YouTube.

A live do dia 26 veio ao encontro do Projeto Eleições 2020, que ganhou, no dia 21, uma página no site do OSB-Limeira com todas as informações sobre a iniciativa. Ragazzo explicou que o projeto, composto pelas mais representativas instituições da sociedade civil organizada da cidade, identificou várias melhorias a serem feitas na gestão pública municipal. Esse conteúdo compôs um Termo de Compromisso que será entregue aos candidatos a prefeito e a vereador, que, se estiverem de acordo, deverão colocá-lo em prática caso eleitos.

MULHERES SUB-REPRESENTADAS

“Iniciativas como esse projeto nos dão mecanismos para mudar a forma como nossa sociedade se comporta”, afirmou Maíra Bayod, lembrando que as mulheres compõem 52% do eleitorado brasileiro, mas não ocupam mais de 15% dos assentos no parlamento. Em 2009, a legislação eleitoral passou a exigir dos partidos uma cota de 30%, entre seus candidatos ao Legislativo, destinada à reserva de gênero. E, em 2018, o STF e o TSE entenderam que, se existe essa cota, o mesmo percentual deve ser considerado para repasse da verba do fundo eleitoral para as candidatas e para sua aparição na propaganda gratuita de rádio e TV.

“Neste ano, pela primeira vez, essa determinação vai valer numa eleição municipal, e isso pode ser o início de uma virada para a participação das mulheres na vida pública”, destacou a advogada. Ricardo Campos lembrou que os partidos costumavam usar “candidatas laranjas” para cumprir a cota exigida pela lei eleitoral, e como resultado algumas delas não tinham um voto sequer. Com a legislação mais rigorosa, situações como essa despertaram a atenção da Justiça Eleitoral, o que desembocou em punições, incluindo a cassação de chapas.

Para o advogado, é justamente esse tipo de atitude que afasta da política os cidadãos de bem, independentemente do gênero. “Claro que muitos políticos concluem seus mandatos com a ficha absolutamente limpa, mas a fama de desonesta da classe faz com que muita gente boa não participe do processo eleitoral”, frisou.

José Mauro Faber acentuou que, já que o voto é obrigatório no Brasil, é preciso fazer disso uma arma contra os maus políticos. “O voto é o grande instrumento de melhoria da nossa sociedade”, pontuou. “É preciso votar pensando no bem da coletividade, não nos seus próprios interesses”. E acrescentou: “Votar num parente ou amigo pensando em obter vantagens no futuro é também uma forma de corrupção”.

NÃO SE PODE GENERALIZAR

Faber ainda ressaltou que “as eleições são o momento cívico mais democrático possível, já que o voto de todos tem o mesmo peso”. Os participantes do painel concordaram sobre a importância de não generalizar a classe política como desonesta, e, justamente por isso, pediram punições rigorosas àqueles que mancham seus mandatos com corrupção e outros crimes. “A omissão é a pior das escolhas”, reforçou o presidente da 35ª subseção da OAB/SP-Limeira sobre a necessidade do cidadão participar da vida política de sua comunidade.

“Não podemos ter o consciente coletivo de que todo político é bandido”, emendou Maíra Bayod, para quem a educação e a cultura são fundamentais para que a população aprenda a separar “o joio do trigo”. “O índice de abstenção nas nossas eleições tem ficado entre 15% e 20%, o que mostra que as pessoas não estão mais levando a sério nosso sistema eleitoral”, argumentou. Mais um vez, ela disse colocar fé que o maior ingresso de mulheres na vida pública possa ajudar a mudar esse quadro.

A advogada lembrou de uma frase de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, que resumiu o principal assunto do painel de encerramento do Agosto Transparente: “Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas mulheres entram na política, muda a política”. Ao final da live, Mateus Ragazzo lembrou que todas as informações sobre o projeto Eleições 2020 podem ser conferidas aqui.

SOBRE O OSB

O OSB é um espaço para o exercício da cidadania, democrático e apartidário, e que já se encontra presente em 150 municípios de 17 Estados brasileiros. Atua na prevenção da corrupção, controle e monitoramento dos gastos públicos, utilizando uma metodologia padronizada, com o objetivo de contribuir para a melhoria da gestão pública.

INVESTIDORES SOCIAIS DO OSB-LIMEIRA

Atlas, ACIL, Nosso Clube, Cozinha da Família, Valor Ambiental, Sicredi, Prevseg, Alfadimmi, Sicoob, Quality, GF Lanternas, Pizzaria Don Francesco e Presscom Comunicação.

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